Brasil-América Latina - Decadência de "Torres Gêmeas" da Venezuela reflete ascensão e declínio do país, relata brasileira

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O complexo urbanístico do Parque Central, localizado no coração de Caracas, é o perfeito retrato da Venezuela de antes e de agora. Quando foi inaugurado, em 1983, os edifícios e o país eram sinônimos da riqueza e vanguarda de uma potência petroleira. Agora, esta que foi a estrutura urbana mais famosa da América Latina continua sendo o símbolo do país – ambos empobrecidos, sucateados e maltratados. É lá que, há 30 anos, mora a comerciante paraense Imara Santos. “No Brasil, a coisa estava difícil e quando cheguei aqui encontrei um país próspero. Com um salário mínimo venezuelano, dava para fazer compras, pagar aluguel e ainda sobrava para comprar presentes. Não era milagre, era a moeda [bolívar] que tinha força", relembra. Dados de 1990, um ano antes da chegada do Imara ao país, apontam que a Venezuela era a quarta economia da região. O Produto Interno Bruto (PIB) chegava a US$ 48 bilhões e o salário mínimo era equivalente a U$148,20. A pobreza extrema não passava de 23,18%. A brasileira é uma das quase 15 mil pessoas que moram no complexo composto por oito edifícios residenciais e dois prédios empresariais, de 225 metros cada um, conhecidos como as Torres Gêmeas de Caracas. Até 2003 elas ocuparam o primeiro lugar na lista de arranha-céus mais altos da América Latina. Atualmente estão em 27° e 28° lugares neste ranking – uma queda similar à da economia venezuelana, se comparada a dos demais países. 40 mil pessoas por dia O Complexo do Parque Central se assemelha a uma cidade dentro da cidade. Além da excelente localização em uma nevrálgica área da capital venezuelana, o Complexo abriga museus, cinemas, teatros, dezenas de estabelecimentos comerciais, entre eles supermercados, e a estação Parque Central do metrô caraquenho. Lá também funcionam ministérios e organismos estatais. Antes da pandemia, cerca de 40 mil pessoas circulavam diariamente por ali. “Isso era um mundo, uma cidade para mim. Tudo era um luxo, luxo total. As ascensoristas pareciam aeromoças lindas, impecáveis, perfeitas. Tudo (aqui) funcionava perfeito.” Não é à toa que a brasileira usa o verbo no passado. O Parque Central já era. Hoje em dia, é sinônimo de deterioração, adjetivo que pode ser aplicado também para descrever o país. Em 1998, o PIB venezuelano conseguiu se manter dentro das cinco maiores economias da região. Mas em 2011 foi o último ano em que a economia da Venezuela cresceu, atingindo um PIB de US$ 334 bilhões. Depois, só decaiu, culminando em 2018, quando a crise fez desaparecer 44% das riquezas nacionais. A pobreza disparou e os casos de desnutrição começaram a aumentar. "Caindo aos pedaços" A falta de manutenção transformou para pior o Parque Central. Similar ao que acontece em boa parte de Caracas, lá o fornecimento de água encanada é deficiente. As infiltrações formam poças nos corredores planos, e cascatas nas escadas. Nos edifícios residenciais, empresariais e nas galerias comerciais, falta iluminação adequada. “O Parque Central está caindo aos pedaços. Tem todo tipo de problema. O condomínio é barato, mas não funciona. Está tudo destruído. Tudo! É uma coisa muito triste, um verdadeiro caos", lamenta a moradora brasileira. "Não é nem sombra do que foi.” Atualmente o Complexo do Parque Central faz lembrar o filme “Mad Max”, produção australiana exibida em 1980 no Brasil, que mostra um território abandonado à própria sorte. Não é raro o surgimento de focos de incêndio nas estruturas do complexo. Em 2004 o fogo consumiu um terço de uma das Torres Gêmeas. Pelo menos dez andares da Torre Leste, onde funcionavam ministérios e organismos estatais, ficaram completamente destruídos. Apesar das 15 horas de labaredas, a estrutura conseguiu se manter de pé. Já em 2013, foi a vez da Torre Oeste sofrer um incêndio, de menores proporções. Perigo Nos prédios comerciais e residenciais, boa parte das escadas rolantes e dos elevadores não funcionam. É preciso transitar pelas escadarias. No entanto, o roubo de lâmpadas e de fios, além dos constantes apagões que acontecem na capital do país, transformaram o lugar em um escuro labirinto. No complexo, funciona uma unidade da Polícia Nacional Bolivariana e das Forças de Ações Especiais (FAES) –mas a presença deles não freia a criminalidade. Pelas redes sociais circulam denúncias e alertas de crimes e de situações arbitrárias que acontecem nos corredores e nos estacionamentos subterrâneos do Parque Central. Muitas pessoas evitam transitar desacompanhadas pelo local. “Tem muito assalto aqui. As pessoas não podem sair muito. Não podem chegar em determinada hora. É um salve-se quem puder”, indica Imara. O governo bolivariano criou, em 2013, a Corporação do Distrito Capital, a Corpocapital, para gestionar o urbanismo em determinados lugares de Caracas, incluindo o Complexo do Parque Central. Com a justificativa de melhorar a infraestrutura do lugar, o organismo tenta arrecadar taxas, mas se depara com o empobrecimento da população. De acordo com a moradora, a “Corpocapital quer cobrar cinco dólares por apartamento, além de sete meses retroativos. Isso dá US$ 35”. “Quem pode ficar assim?” “Não tem sentido uma coisa dessas. A maioria das pessoas que mora aqui não são aqueles milionários de antes. São pessoas que estão recebendo uma pensão de dois dólares”, critica a brasileira. No Dia do Trabalhador, o presidente Nicolás Maduro subiu o salário mínimo de 1.800.000 bolívares para sete milhões de bolívares, o equivalente a cerca de US$ 2,40. Sem reconhecer o país onde passou momentos felizes e prósperos, a brasileira decidiu fazer o caminho inverso ao traçado três décadas atrás. “Penso ir embora, de volta ao Brasil, porque aqui está tudo muito difícil. O dinheiro não dá para nada. Você trabalha para viver o dia. Não tem direito a comprar mais nada, só a comida. Quem pode ficar assim?”, desabafa.

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